terça-feira, 22 de abril de 2014

Poesia

Quando ela chega
De repente esparramo pelo chão
(Como as batatinhas quando nascem...)
Minhas bobeiras
Andando com as mãos indicando o Norte
Fazendo sombras de mãos inteiras
Nas flores da morte, nos trevos da sorte.

Quando ela chega
Não há tempo
E sempre há tempo
Mais atento
Tento menos
Invento mais do que condeno
Sempre há tempo, coelho chato
Tarde é só um momento.

Quando ela chega:
Sobrancelhas ríspidas
Despidas de calma
Despedem das seivas
Das próprias feridas
Batendo palmas
Eu fico sóbrio.

Quando ela chega
Toca uma música
Acho que é Piaf
Ou só um piano
Ou um pio de anum
Anunciando
Ou um trompete na surdina
Ensurdecendo
Ou um assovio na esquina
Ou radio a pilha
Radiante.

Mas é quando ela vai que tudo faz sentido
Sinto a dor dos calafrios
Sinto a febre dos comprimidos
Sinto os nervos dos arrepios
Sinto a melancolia dos sorrisos
Sinto o corpo adormecido

Quando ela vai...


Eu sobrevivo!

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