terça-feira, 22 de abril de 2014

Ao melhor amigo

Você quer entender não é, meu caro?
Pois, meu carro é ônibus lotado
Minha boca é oca e o papel, nublado
No prato, comida que eu mesmo fiz para mim
Nos olhos marcas arcaicas das alergias já antigas
E um antagônico sorriso bondoso eu sempre tenho a lhe ofertar

Incongruência!

Será daí que surge a sua falência?
Daqui em diante paras de me entender?
Pois, a minha intenção é que não
É que fique sempre tudo resolvido entre nós
E enquanto isso me seguro no cós de minhas calças largas
Largo-me no jeans da minha oitava série
Sério!
Lembra?
Época boa em que eramos dois bobos e lisos
Que sonhavam com as gatinhas de Chiador
Ah, doces lembranças de ter amigos sempre ao lado
Eu era confiantemente perdedor
Mas ganhávamos histórias e nos apegávamos a elas,
como no dia que agarramos os arbustos
Como se fossem os bustos de Michelle ou de Mariane
Agora, em doses esporádicas nos encontramos,
Cada vez mais estranhos

Confusos...

Tanto que não entende as agonias novas de minha escrita
Os meus espasmos laudatórios
Tremelicam os cílios, sabe como é?
De tanto ver as pessoas passarem a pé

Da janela do meu 606.

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