Você quer entender não é, meu
caro?
Pois, meu carro é ônibus lotado
Minha boca é oca e o papel,
nublado
No prato, comida que eu mesmo fiz
para mim
Nos olhos marcas arcaicas das
alergias já antigas
E um antagônico sorriso bondoso
eu sempre tenho a lhe ofertar
Incongruência!
Será daí que surge a sua
falência?
Daqui em diante paras de me
entender?
Pois, a minha intenção é que não
É que fique sempre tudo resolvido
entre nós
E enquanto isso me seguro no cós
de minhas calças largas
Largo-me no jeans da minha oitava
série
Sério!
Lembra?
Época boa em que eramos dois
bobos e lisos
Que sonhavam com as gatinhas de
Chiador
Ah, doces lembranças de ter
amigos sempre ao lado
Eu era confiantemente perdedor
Mas ganhávamos histórias e nos
apegávamos a elas,
como no dia que agarramos os
arbustos
Como se fossem os bustos de
Michelle ou de Mariane
Agora, em doses esporádicas nos
encontramos,
Cada vez mais estranhos
Confusos...
Tanto que não entende as agonias
novas de minha escrita
Os meus espasmos laudatórios
Tremelicam os cílios, sabe como
é?
De tanto ver as pessoas passarem
a pé
Da janela do meu 606.
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