domingo, 14 de dezembro de 2014

depois do arco-eros
há um pote de gozo.
ricocheteada bala
atravessou-me o ombro
cobrando a dívida 
que eu nunca teria como pagar
descobriu a pele 
desbravou a carne
e se ausentou de culpas
tilintando o chão
manchada de sangue
como caneta estourada
no calor do bolso
pus
necrose sincera
prurido sem dor, consorte
merecida prisão de um ventre
no batente
da morte
a réstia de hóstia
escondida no dente
de trás
no siso careado
da rua
um tiro me acossou
como a lua

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

valha-me 
orvalho-te
um centavo-se
insensato-nos
em só ato-dois.
eu vejo Dionísio de perto
meus olhos queimam de abertos
meu corpo dança, eu descanso
no relampejo do verso
eu vejo o que me reverso
disperso do que me engano
eu vejo Dionísios coberto
de sentimentos humanos
calados no firme deserto
dos moderados fulanos
coberto de amor como um anjo
coberto de felicidade
embriagado de vida
dançando sem veleidades
eu vejo Dionísio despido
de moral e de vaidades
nu, dança-se destemido
nuances de liberdade
eu vejo o que vejo e o que rimo
nasce por pura vontade
coberto e nu dança o imo
da abertura que invade.