domingo, 14 de dezembro de 2014

ricocheteada bala
atravessou-me o ombro
cobrando a dívida 
que eu nunca teria como pagar
descobriu a pele 
desbravou a carne
e se ausentou de culpas
tilintando o chão
manchada de sangue
como caneta estourada
no calor do bolso
pus
necrose sincera
prurido sem dor, consorte
merecida prisão de um ventre
no batente
da morte
a réstia de hóstia
escondida no dente
de trás
no siso careado
da rua
um tiro me acossou
como a lua

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