terça-feira, 22 de abril de 2014



O que é o espirito do mundo?
Onde está a alma desse troço?
Não está na natureza, nem nos homens
Está, naturalmente, nos destroços

No que se arruína ele se entrega
No que se configura a morte e o dano
A alma desse mundo é o que refrega
E está no monstruoso e no profano

O espirito da dor instaura vida
E o parto dessa alma rasga a pele
O apelo e o clamor do amor revelam
Que tudo o que é da dor significa

Tudo o que revolta é sentido
Tudo o que é revolta é somado
Tudo o que revolve o sofrido
É tudo o que é revólver disparado

A potência de morte é o que espera
E espreita com os seus olhos de quimera
A pedra, a água, o bicho, a besta, o deus
A morte cerra os olhos, sempre bela
Sussurrando um canto, sempre adeus

E nasce outra vez como uma fera
E tudo que exaspera é dom divino
Todo o incontrolável é dom sagrado
Desde o choro solto de um menino
Até o temporal destemperado

A chance de morrer que se instala
A cada milissegundo de alegria
Indica que a existência é uma fuga
Dos olhos dessa eterna e vil vigia

Seria o feio que supõe o belo
Se houvesse algo de bom em acreditar
Que a constante do existir é a bondade
Sentindo-nos invadir pelo penar

Extinto tudo será, não há sustento
Não existe um porquê, nem nunca existiu
O mundo é o mais perecível alimento

Da morte – essa puta que o pariu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário