O que é meu neste quarto imenso?
Nem mesmo o tanto que me guardo
me pertence
Não tenho brasas, nem vícios, nem
cinzas,
Pois o pombo grunhidor nunca
servirá ao agouro
O que é meu desse barulho, calmo
ouro?
Como o marulho que pertence a
pia, a torneira
Ou o pio, de quem contorna
matreira,
É da criança que, no esporro
adulto, brinca,
Vira passarinho
Não tenho cara, nem moeda para
jogar ao alto
Não tenho caverna e essa luz me
cega
Não há razão para tanto tanto
tanto solto
Se eu nem sei o que de mim está
na cela
Eu não sou medo, angustia,
tristeza...
Pois reconhecemos logo suas faces
Não sou felicidade, bravura,
sonho...
Pois abraçamos somente o cheiro
dessas flores
Sou a charada insolucionável do
sorriso
Que passa fugazmente na certeza
dos boçais.
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